Inquietudes

“Quem Me Dera As Asas Da Verdadeira Liberdade Para Voar e Repousar Em Vós!”

23/3/06

Marta e Maria

Existe em mim duas pessoas que não conseguem ter a mesma concordância de sentimentos ou idéias. Uma é Marta preocupada e inquieta. Lutando para conquistar seu espaço, ser reconhecida.

Presa a padrões de senso comum, sobre a plataforma de convencionalismos e necessidades, às vezes naturais, mas muitas vezes artificiais. Demasiadamente preocupada consigo e com seus objetivos egoístas.

A outra é Maria, que sabe qual é a melhor parte. Que atenta ao inefável convite de seu Senhor. Que busca uma coerência interior. Que observa que ouvir e refletir antes de decidir garantem um retorno mais gratificante e seguro que agir impulsivamente.
Maria reconhece as necessidades e a importância de conquistar uma vida digna enquanto permanece nesta terra como estrangeira. Contudo seus anos de experiências provam que andar sob prudência é a forma mais eficaz de adquiri-las.

E como alguém que está no mundo, mas não pertence a ele e tão pouco seu conselheiro pertence. Sabe que é necessário retirar-se por um longo tempo e encontrar um recanto seguro, ao abrigo de suas orientações certas. E assim ter claro como o dia de verão qual é a boa e agradável vontade de seu mestre. Da mesma forma, ter límpido suas responsabilidades perante a vida e para com seus semelhantes.

Quando Marta está no controle suas preocupações e inquietações cegam meus olhos à provisão de Deus. Sou dominada por uma turbulência de insatisfações e incertezas. E o medo de fracassar é um fantasma constante.
Porém quando Maria surge, muitas vezes após uma grande decepção que Marta impulsiva provocou, a transformação começa. O futuro não parece tão assustador e a inquietação é substituída pela perfeita paz que excede todo entendimento.

A voz que oprime e que exige é abafada pela que ensina e orienta. O ruído de um passado ridículo e desanimador torna-se dissipável ao som das palavras de um implacável amor. E os planos de um futuro bom mostram-se duráveis novamente, renovando assim a esperança.

Porque diferente de Marta, Maria entende que pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa: Estar aos pés de Jesus.

criado por leslishalom    19:45 — Arquivado em: Solitude

23/2/06

Recomeçar

Ela quase pôde escutá-lo, porém para ouví-lo com mais atenção precisava aproximar-se mais. Seus olhos eram poços de saudades. Sabia que aquele toque lhe deixara profundamente seduzida.

Andou vagando perdida entre o relativo e o absoluto. Entre o que é efêmero e o que é essencial. Sua vida havia tornado-se uma ânfora frágil e precisava ser quebrada, pois já não podia mais reter o vinho novo.

Passos oscilantes, desejos intensos, uma voz interior já um pouco abafada pelos ruídos externos e um sonho confuso despertaram seu espírito.

Tinha ido longe demais. E agora precisava saber não como voltar, mas sim como mudar, recomeçar e não se iludir novamente.

Seu coração foi capaz de suportar todas as conseqüências de seu erro, exceto uma: A Sua Presença-Ausente.

Mas agora ela pôde perceber, ele a chamava de volta e sua voz tinha urgência.

Ela então começa entender que para permiti-lo construir algo novo o que é velho tem que desabar. Toda mudança gera a princípio confusão, até que tudo fique no seu devido lugar.

criado por leslishalom    17:45 — Arquivado em: Solitude
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